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terça-feira, 10 de agosto de 2010
OS FILHOS AFORTUNADOS
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terça-feira, 27 de julho de 2010
E DIZER QUE A HISTÓRIA SE REPETE EM URUGUAIANA
Mas parece que em Uruguaiana, a “história negra” gosta de reprisar.
Na Roma Antiga, praças, eventos, festividades e demais atividades supérfluas, distraiam a sociedade desviando a atenção para os atos políticos que eram tramados no governo. O “pão e circo” se perpetuou por mais de 2.000 anos e ainda hoje distrai povos inteiros com praças iluminadas e festas anuais sem que se veja as mazelas que nos rodeiam.Na Idade Média, o Senhor Feudal fazia de seu território seu domínio e sua autoridade tinha peso de lei, acima de qualquer outra lei, inclusive do próprio Estado. Eram tempos em que a medida de poder era a opressão.

Na Idade Moderna o rei ganhara prestigio e poder graças a classe emergente que financiava os mandos e desmandos monárquicos, para conquistar em troca direitos de comércio e favores para seus familiares. Pensadores e filósofos corroboravam com o pensamento absoluto e escreviam rasgados discursos para a manutenção do sistema, pois – para estes – os fins justificavam os meios. O rei era “absolutamente pleno”, confundindo-se com o próprio Estado; os súditos, massa de manobra e algumas famílias ganhavam – ou compravam – títulos de nobreza graças às bajulações reais. No final daquele período, cabeças rolaram, inclusive a dos próprios Senhores Estado.
Napoleão ousou conquistar tudo aquilo que sua armada pudesse alcançar. Ordenou bloqueios até em territórios que não eram seus; ameaçou aliados e empossou parentes em reinos vizinhos. Seu gigantesco e megalomaníaco ego o levou às raias da loucura e isso lhe custou o próprio trono, no qual ele mesmo havia sem intitulado “imperador”. Hoje, considerado por muitos o maior estrategista da história, é considerado por outros tantos apenas um imperador louco.
No Brasil Imperial, o antes idolatrado D. Pedro, ao assumir o poder, mostrou sua verdadeira face, criando um poder moderador que lhe dava autoridade para intervir em todas as instâncias da sociedade; desrespeitava o Legislativo e o Judiciário. O imperador criava as leis de um Brasil que ele mesmo desconhecia. Foi uma época em que até a mídia opositora foi perseguida. Assim calaram Libero Badaró.
Mais tarde, nos arrancos republicanos, houve um presidente que conseguiu, dentro de sua era, ser o mais ambíguo de todos os políticos brasileiros. Foi amado e odiado, alternou paternalismo e ditatorialismo num mesmo governo. Uniu grupos sociais que rivalizavam para alcançar seu próprio benefício; usou a Máquina Estatal para se promover; criou um programa de rádio que servia como instrumento de divulgação das obras do governo, mas que na verdade também era usado para difundir o próprio pensamento demagógico e perseguir a oposição e, não contente, depois de tudo isso, impôs uma ditadura ferrenha ao próprio povo que lhe idolatrava. Aquele gaúcho de São Borja teve todo o poder que lhe foi permitido; Mas, mais poderosa foi a oposição política que lhe fez puxar o gatilho naquele fatídico agosto.Se analisarmos bem, encontraremos em cada um destes momentos, estranhas coincidências com a Uruguaiana atual.
Felizmente todos estes períodos históricos caíram; a própria sociedade, tomada de consciência, em muitos destes momentos agiu, direta ou indiretamente, para o fim destas mazelas.
Se a história serve para uns repetirem-na e usá-la para governar como assim outros já fizeram, esta mesma história deve nos servir para que vejamos como devemos proceder para pôr fim nisso, assim como todos esses impérios e governos que molestaram a humanidade ao longo dos tempos e que um dia findaram.
Uruguaiana não pode incorrer nas negras repetições do passado. A sociedade clama por justiça.
Somos a própria história viva, o livro do futuro ainda não foi concluído.
Chega de autoritarismo, pois é a voz do povo que deve prevalecer. E a história há de contar um dia.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
A medida da felicidade
Em pesquisa recente, realizada entre 2005 e 2009 pelo Gallup, foi medido e avaliado o grau de felicidade das pessoas em seus respectivos países.
Empatado com o Panamá, em 12.º lugar encontra-se o Brasil. (veja aqui o ranking)
Com base em entrevista, classificando-se em três graus, que vão de felicidade à sofrimento, a pesquisa revelou que as pessoas tendem a estar mais satisfeitas com a vida conforme o grau de riqueza de sua nação e que o passado recente é importante para refletir-se a felicidade atual.
Entre os brasileiros, 58% se consideram felizes; 40% estão à procura dela e apenas 2% declararam estar sofrendo.
Tal pesquisa serviria para “pesar” um sentimento que a humanidade ao longo de toda a história sempre buscou.
Na Antiguidade Oriental havia uma lenda de que as pessoas ao morrer, para poder entrar no reino dos céus eram interrogadas por um espírito que lhes realizava apenas duas perguntas:
1.º: “Fostes feliz em vida?”
2.º: “Levastes a felicidade para a vida de alguém?”
A alma assim, além de refletir sobre como havia sido sua vida na terra, tinha seu destino pós-vida decretado conforme a resposta das perguntas.
Sócrates, posteriormente, ainda na Antiguidade (só que agora ocidental) vislumbrava a felicidade como um projeto de vida que todo homem deveria alcançar; ser feliz – para ele – seria “viver como os deuses”.
O ex-presidente norte-americano Thomas Jefferson, na Carta de Independência daquela nação escreveu:
“Todo homem é criado de maneira igual com direitos próprios e intransferíveis, como a vida, a liberdade e a busca pela felicidade(…)”
Assim, segundo ele, todas as pessoas são livres e tem estabelecido e assegurado pelo Estado o direto à felicidade.
Recentemente, um símbolo, definiu – para a nossa embrutecida sociedade moderna – a representação d
a felicidade: a famosa “carinha Smile”; criada em 1963. Uma música considerada para muitos a mais bela de todas já compostas, de autoria do eterno palhaço Charles Chaplin e re-gravada na voz de muitos interpretes, canta esse sorriso: “Smile”.
Nada mais justo – em tempos de correria, seriedade e valores alterados pelo sistema que nos corrompe – um simples sorriso ser sinônimo de felicidade.
Mas e a sua felicidade? É possível medi-la através de entrevista? De perguntas? Seria ela uma sensação digna apenas aos deuses? Estaria ela determinada e realmente assegurada em algum documento?
Cada pessoa tem a sua própria felicidade de acordo com a sua vida; cada um de nós tem uma visão de felicidade. Ela está nas conquistas ao longo da vida, nas satisfações e engrandecimentos profissionais, no grupo de amigos, na família reunida, num gesto fraterno e espontâneo de desconhe
cidos, no amor...
Não vá muito longe, desesperadamente, à procura dessa sensação; as vezes o caminho longo que traçamos termina sem sentido quando percebemos que depois de tanto viajar, a felicidade sempre esteve ao seu lado, e o caminho de volta pode ser penoso demais.
A minha felicidade?
Bom...
Esteve todo o momento aqui comigo enquanto escrevia esse texto, me pedindo pra ir brincar com ele. Agora me dêem licença que eu preciso ir ali ser feliz com meu filho.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Defina uma colher
Nos últimos dois anos, principalmente o Ensino Fundamental, melhorou nas regiões Sul e Sudeste; a meta do Governo Federal quase foi alcançada.
Mas como se conquista uma educação de qualidade?
Como se transforma uma sociedade?
Voltando os olhos dessa própria sociedade para a educação; o principal pilar de sustentação de um povo.
Daí a necessidade de um governo preocupado com esse setor; as propostas pedagógicas de melhoria; os avanços na qualidade de ensino, os professores motivados em sua função; os alunos interessados e freqüentando a escola; a própria sociedade fazendo aquilo que deveria ser competência do governo, através de ONGs, Projetos Sociais e participações voluntárias dentro da própria rede de ensino.
Quem sabe assim, lá no ainda muito distante ano de 2021 o Governo Federal possa se orgulhar de dizer que meta foi alcançada.
Porém, para que alcancemos tal índice é necessário revermos tudo novamente agora.
Como está nosso ensino?
Como estão nossos alunos?
Como estão nossos pais no importante papel de intermediários entre comunidade/escola?
E mais importante: como estão nossos professores?

Um aluno de uma Escola Estadual conceituada daqui do centro de Uruguaiana levou para casa um tema onde apresentava a seguinte tarefa:
“Defina uma colher”
Solicito ao leitor: tente “definir” uma colher.
Se não conseguiu, mesmo no alto de seus conhecimentos, não é culpa sua; culpe o responsável pela elaboração de tal atividade.
Agora imagine uma criança de sete anos ter como tarefa de casa realizar a definição desse objeto. Sem base, sem recursos, sem lógica, como querer definir uma colher.
Me atrevo a dizer que quem deveria ser definido é a professora; se ela realmente é ou não é educadora.
Por isso vemos nossa educação tão falha; por isso somente em 2021 talvez consigamos alcançar a meta que beira os níveis de educação européia; por isso o número crescente de analfabetos funcionais com diplomas de ensino médio e alguns com diplomas de graduação; e por isso o Brasil assim: indefinido na área da educação.
A educação se mede pelo educador.
Se aluno não está sendo bem avaliado é hora de se avaliar o professor.
E são os educadores – e não só os alunos – que devem ser constantemente avaliados. Assim podemos definir o futuro da nossa sociedade e não uma colher.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Sinergia
São braços, pernas, mentes e corações unidos.Palpitações e respirações aceleradas quase no mesmo ritmo.
Adrenalina contida durante 90 minutos que dá vazão em gritos de desabafo ou euforia e abraços de felicidade e alegria no fim do período.
Depois, milhares de energias cooperativas se unem; nas sacadas dos prédios, nos restaurantes, nalgum barzinho da periferia, nas esquinas, nas praças, onde possa haver sinergia.
Essa sinergia do povo brasileiro que nessa época da Copa do Mundo nos salta aos olhos.
São bandeiras por todos os lugares, enfeites verde/amarelos, fantasias; cornetas, apitos, vuvuzelas; reuniões familiares, reuniões de grupos de amigos, reuniões em ambiente de trabalho ou até mesmo a torcida solitária sobre a tela da televisão. O Brasil produz uma energia intensa e poderosa nos dias de jogo da seleção.
Enquanto tudo literalmente pára durante os 90 minutos em que o país está nas chuteiras dos nossos selecionados, conspiramos em forma de energia positiva que é quase possível senti-la, tocá-la e me arrisco a dizer que são nestes momentos que o Brasil mais produz energia intensa.
Mas isso acontece apenas a cada quatro anos; por poucas semanas.
Passada a Copa do Mundo voltamos ao dia-a-dia, ao ofício diário, à realidade da rotina e parece que aquela força sinérgica some-se por completo. Não se vê mais tamanha euforia, não se sente mais a onda magnética que cobriu o Brasil durante os jogos.
Se conseguíssemos sustentar tamanho poder humano, concentrá-lo e aplicarmos nas mais diversas necessidades sociais, imaginem a poderosa nação que teríamos?
Se as bandeiras pudessem ser sacudidas em protestos contra atos infames daqueles que ocupam o poder.
Se as aglomerações verde/amarelo fossem para decidir um rumo na economia.
Se a força que os pulmões imprimem em cornetas, apitos e vuvuzelas fosse para bradar que nossa terra tem dono, tem cultura própria e impedir que os estrangeiros pouco a pouco se apropriem do que é nosso, impondo o que é deles.
Se essa euforia de vitória pudesse ser usada na escolha certa de um governo.
Se a adrenalina fosse a transformação da nossa sociedade.
Se a vontade de vencer fosse a vontade de educar!
Que vença o Brasil mais uma Copa. Que alegre-se mais uma vez a nação que hoje deposita esperanças em jovens guerreiros. Que comemoremos felizes, entre gritos, lágrima e abraços a vitória da pátria de chuteiras.
Mas que a sinergia que o futebol nos gera se mantenha acesa e forte em cada um de nós brasileiros durante o os próximos quatro anos que teremos pela frente.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Se vai o ano
Houve um grande radialista uruguaianense que já nos primeiros dias do ano dizia assim em seu programa:
“(...) se vai o ano!!!”
Não importava se era a primeira semana de janeiro ou os últimos dias de dezembro; aquele era o seu bordão.
Ontem eu percebi que, particularmente o ano de 2010, está se indo com relativa velocidade. Impressão minha? Afinal, os anos são todos iguais e nós é que criamos o nosso próprio tempo? Talvez.
Porem aquele outro programa de rádio que ouvi ontem dizendo que já havíamos transcorrido 172 dias do ano de 2010 me chamou atenção para tudo o que 2010 teve (e ainda terá), dando a impressão de que realmente esse ano “vai que vai”.
Porque se contarmos em fatos o ano presente, perceberemos que iniciamos sempre em época de férias e na seqüência entramos em período de folia carnavalesca que embriaga o Brasil de festa. Na seqüência temos o retorno às aulas somado ao carnaval temporão que novamente pára toda a cidade para o evento.
Somente lá por maio terminamos de pagar involuntariamente os impostos que o governo nos impõe; e aí percebemos que o ano corre rápido e devora nosso orçamento como uma ave de rapina. Se o inconfidente Tiradentes sonhava com liberdade de Portugal, quando o Brasil pagava 20% de impostos para Portugal, hoje nós contribuintes pagamos 40% para o governo federal e certamente deve dar saudade dos tempos coloniais.
Entre um campeonato de futebol anual e outro, agora vivemos a Copa do Mundo. Novamente paramos, atenciosos, fixos, estáticos, aos jogos da nossa seleção e de qualquer outra seleção importantíssima para nós como Honduras, Argélia, Grécia ou Eslovênia.
E o ano?
Já se passaram 172 dias; não fizemos muita coisa, não demos baixas de muitas tarefas pendentes e programadas lá no início de 2010 e o pior de tudo: não mudamos nada em nossa volta; nem na nossa vida, nem na nossa sociedade.
Como se não bastasse, esse ano ainda nos reserva mais um período de distração; o período eleitoral que servirá novamente como diversão frente à televisão, assistindo a comédia política, fixos, estáticos, alguns até com nariz de palhaço no rosto.
Mas se na Copa do Mundo não conseguimos escalar o jogador que queríamos, e hoje xingamos o Dunga com veemência, no próximo período eleitoral podemos ser técnicos, podemos escalar os nossos representantes e por fim sermos agentes da mudança, fazendo de 2010 um ano de transformações.
Porque se não fizermos isso, “se vai no ano...”quarta-feira, 16 de junho de 2010
Trânsito Democrático
Foi essa a piada criada por um amigo meu sobre o trânsito em nossa cidade: “Uruguaiana tem um trânsito democrático; cada um faz a sua própria preferencial”.
A brincadeira não deixa de ser verdade. Quem dirige sabe a verdade que nem preferencial, nem sinaleira, muito menos os redutores de velocidade impedem as infrações de trânsito, e que se não estivermos extremamente atentos ao trânsito, envolver-se em um acidente pode ser inevitável.
Como se já não bastasse o stress normal da correria do dia-a-dia, soma-se para os motoristas o grande stress que se tornou dirigir pela cidade:
- Motoqueiros cortando a frente de veículos.
- Vans em velocidade alucinante em horário de rush.
- Redutores de velocidade em 70% das vias.
- “Carros boate” e seus decibéis ensurdecedores.
- Guardadores de carro que se proliferam em todas as quadras do centro.
- O asfalto casquinha descascou, criando calombos e buracos, que agora começaram a diminuir só porque um buraco já emendou no outro.
Stress em velocidade máxima!
Motoristas trafegam sem cinto de segurança sob o olhar atento dos órgãos de controle; pedestres não cruzam na faixa e nas ruas mais afastadas do centro estes pedestres pensam que são automóveis e transitam somente pelas ruas. Outro dia, dirigindo pela Eustáquio Ormazabal pensei seriamente em trafegar pela calçada e deixar livre a rua para os transeuntes.
E a sinalização no centro é o que tem de melhor:
Quem vem pela XV de Novembro somente enxerga o semáforo com a Bento Martins quase na esquina. As árvores encobrem a visão assim como quem vem pela Duque de Caxias e precisa prestar atenção ao semáforo com a Santana. Totalmente encoberto.
De sexta-feira até domingo uma das principais sinaleiras da cidade deu pane geral; Presidente Vargas com Duque de Caxias ficou arriscadíssima de se cruzar.
Nem cabe ressaltar os diversos semáforos que pulam do verde direto pro vermelho.
Placas de PARE também estão encobertas por árvores ou então nem estão alertando as esquinas. Certas esquinas já são conhecidas como “Esquinas Assassinas”.
O trânsito de Uruguaiana já não é mais nem democrático; é anárquico.
Foi aí que percebi que posso colaborar para a diminuição do stress do trânsito e o meu próprio stress.
Delimitei trajetos que posso fazer a pé e criei um rodízio de dias para fazer alguns dos trajetos que faço de carro agora caminhando.
