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sábado, 24 de outubro de 2009

Desejos de Infância

São detalhes tão pequenos, esquecidos, escondidos numa gaveta da memória, de um tempo já distante, que as vezes ressurgem no presente e nos transportam para o passado de uma forma tão intensa que é quase possível sentir-se o cheiro das coisas. E como é bom reviver o passado (pelo menos algumas coisas que já passaram).
Recentemente tivemos um longo feriado, que me permitiu me reorganizar psicologicamente – porque a sobrecarga de trabalho desse final de ano está sendo bombástica –. Assim pude, numa tarde, preparar um mate e sair a caminhar pela cidade sem a pressa habitual do dia-a-dia.
Já era final de tarde e quando olhei os últimos raios de luz no céu que já mudava de cor, rapidamente me veio a lembrança de um desejo de infância que eu nunca consegui realizar: perceber o momento exato em que o dia vira noite.
Uma bobagem da infância, mas que naquela tarde poderia ser resolvida. E assim segui caminhando, cuidando o momento, o exato momento em que o dia viraria noite.
O céu se tomou de cores incríveis; o azul se mesclou com o vermelho dos últimos lampejos de luz e a criança em mim caminhava à procura do momento que a muito esperava e que naquela tarde se concretizava.
Mas sem perceber, a realidade me puxou de volta; entrei no banco para ver meu saldo bancário (coisas da complicada vida adulta) e ao sair dele já era noite. O meu eu menino, ali, já havia voltado pra dentro de mim, o sonho de infância não se concretizou e a noite já havia se formado.
Voltei pra casa sem olhar pro céu, sem ler o extrato bancário, apenas lamentando por ter de pedir novamente para o jovem Pedrinho esperar o já adulto Pedro ter outra oportunidade de cumprir com suas antigas promessas.

domingo, 18 de outubro de 2009

Coisas que os pais nos falam

Certa vez meu pai (um verdadeiro filósofo de galpão) me disse uma frase que ecoa retumbante em mim até hoje.
Não é para menos; a profundidade dela é de uma realidade cruel que muitos de nós fingem não querer acreditar, mas dela não podem escapar.
Como filho, nunca absorvi tudo que o velho (no auge de suas quase oito décadas) me ensinou; já o chamei de louco, extremista, conservador, sonhador e até pessimista demais. De todas as acusações ele tem como veredicto a absolvição, pois sua defesa é a experiência de vida.
Mas para perceber o valor das coisas e ensinamentos que ele me passou (ou pelo menos tentou) eu sempre tive que contrariar, bater com a cara na parede e depois aprender. Foi assim com a bendita frase.
Quando se vive o fim de um relacionamento – e disso eu já estou entrando com uma tese de doutorado – a pessoa busca esquecer do vivido de muitas formas: sai com os amigos, viaja, faz festa, conhece outras pessoas, buscando assim ocupar o tempo que tem e o tempo que talvez tenha perdido.
Nesses dias tudo é alegria, diversão e não se tem tempo nem pra pensar nos acontecidos recentes. Se vive intensamente o instante, esquecendo-se o passado, vivendo-se o presente e nem se preocupando com o futuro. A vida acaba sendo um baile, com som alto onde se dança conforme o ritmo da música.
“Mas chega a hora em que banda pára de tocar!” Disse o velho pai.
Então é nesse momento que as pessoas presentes vão embora, o salão fica vazio, se olha para os lados e a única coisa que se percebe é o silêncio gritante que ficou.
Assim, a realidade nos cai por cima, a vida – até então de confetes e luzes – volta à normalidade e percebe-se que por mais se que se queira, não há como fugir do destino. Existem apenas válvulas de escape.
Nesse momento, domingo, quase madrugada de segunda, a banda parou de tocar. Aí voltei à realidade. Vou voltar a fazer o que melhor sei fazer: tenho slides de aula pra terminar (pois o que mais gosto está em lecionar) e depois coçar o cabelo do Dartinha que nesse instante dorme ao meu lado (porque a cada dia busco ser um pai melhor que já sou).
Logo mais irei tomar um mate com o papai, sem confessar o quanto ele tem razão sobre as coisas.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

ENEM CANCELADO - Vazamento de prova!

Sempre defendi que o o alicerce de uma sociedade é a educação; apenas com ela podemos modificar a própria sociedade em que vivemos.
Mas hoje comecei a perceber que as coisas se inverteram; a sociedade brasileira não fui mudada pela educação, mas foi a educação que acabou se pervertendo à sociedade desmoralizada.

O ENEM (Exame Nacional de Ensino Médio) foi cancelado por possível vazamento de prova antes da data. Ainda não há nova data prevista.

Vídeo da primeira entrevista com ministro Fernando Haddad:



OS ALICERCES RUÍRAM !

domingo, 27 de setembro de 2009

Rádio em tarde de chuva

Não se trata da sensação de Deja Vu; trata-se da ironia que e do sarcasmo que destino tem comigo.
São em momentos de emoção sensível que ao acaso sou surpreendido por uma música que instantaneamente ficará grudada pra sempre em minha memória.
Foi assim numa já distante tarde chuvosa de domingo de 2001. Com alguns amigos tomando mate comigo na frente de casa, liguei o rádio e escutei uma música que acentuou aquele momento gris que já naquele presente momento deixava tons de nostalgia.
Ali nós amigos ficamos presos à música que dizia de alguém “se despedia de seu amor”, que estava “sozinha no esquecimento”, que “seus olhos se encheram de amanheceres”.
A música EN EL MUELLE DE SÁN BLAS - MANÁ, naquela tarde, marcou nossa juventude.



Anos depois, novamente numa tarde de domingo chuvosa, o mesmo destino debochado me fez levar a mão ao rádio para outra vez ser vítima de uma música que marcou de forma indelével outro momento. Os amigos presentes pararam o mate, deram pausa no jogo e escutaram comigo uma música em que a letra pede que a pessoa “vá embora antes que a dor machuque mais seu coração” e que “mesmo que tenha que chorar pra aprender” fará de tudo pra esquecer.
A música SEPARAÇÃO – EXALTASAMBA marcou outra tarde em que o rádio não deveria ter sido ligado.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Passa a Semana Farroupilha, mas o sentimento deve permanecer.


Não tenho o que tirar nem o que acrescentar ao post anterior do meu amigo (e ex-colega de escola) Mundano. Confesso que já tive intenções de escrever justamente sobre esse assunto mas o pouco tempo que tenho de lazer – entre uma atividade educacional e outra – me obriga a estar na presença do meu filho. Por isso deva-se esse relativo desleixo que ultimamente tenho dado ao Blog.
Mas eu passei por essa Semana Farroupilha de 2009 como nunca havia passado. Ao contrário de muitos, que ostentam bombacha, bota e lenço apenas nesse período, eu nem “gaúcho de apartamento” fui. Usei tênis, moleton e até boné. Tudo para mostrar que não se vive a tradição apenas em datas comemorativas. Não se é gaúcho apenas para os outros, se exibindo nas vestimentas; se é gaúcho consigo próprio primeiramente.
Sempre desfilei, tive bons cavalos, bons arreios e gosto da lida campeira. Ultimamente (mais precisamente 3 anos) fui me afastando devido à profissão que cada vez mais exige de mim um profissional dedicado com a causa que resolvi defender. Foi assim que eu percebi que hoje eu defendo tanto a bandeira da educação assim como a do Rio Grande. Vivo para os alunos, mesmo sendo – ás vezes – incompreendido pela família. É o legado que quero deixar para as futuras gerações: educação como palanque para um mundo melhor.
Nem por isso deixei de lado o sentimento altaneiro de ser gaúcho. Hoje já não desfilo mais; os arreios estão atirados num canto do escritório, os cavalos que outrora tive já se foram para o “campo santo”, mas sigo a ostentar o lenço colorado e uso sempre que possível as bombachas que são símbolo da nossa estampa de campeiro. Meu mate está sempre cevado e pronto pra alcançar ao amigo que vier compartilhá-lo comigo numa manhã ou final de tarde.
E meu orgulho de ser gaúcho? Ahhhh, esse irá junto comigo até o dia em que a magra da foice me chamar; e mesmo assim permanecerá viva a chama do homem do sul por muitas outras gerações, pois deixarei de herança para meu filho o orgulho de ser gaúcho.

domingo, 20 de setembro de 2009

Meu amigo Mundano reapareceu

Ele é assim; um amigo dos tempos de escola que usa esse pseudônimo e sempre que manda alguma colaboração na mesma hora aeu posto aqui no Blog. Pois assim como eu me considero um "Provinciano", ele se intitula um "Mundano".


Hoje estou azedo! Vou logo avisando!
Estava de manhã, tomando café e escutando rádio antes de sair de casa.
De repente, numa dessas rádios de nossa cidade, o propagandista de uma rede de supermercados, em meio a anúncios de produtos e preços - sempre os mais baratos! - anunciava que estava chegando a Semana Farroupilha.
Em meio a chamadas e promoções, o infame comentário: "Está chegando a Semana Farroupilha! Agora é que aparecem os 'gauchinhos de apartamento'".
Fiquei pensando naquilo... já me vieram à cabeça outros adjetivos que ouvi: "gauchinho de lareira", "gauchinho de feriado", "gauchinho perfumado" e por aí afora. Todos eles, descabidos, obviamente.
Então, rapidamente, refleti sobre qual o sentido que "ser gaúcho" tem para algumas pessoas. Gaúcho seria aquele que dedica todo o seu dia à lida no campo? Aquele que todos os finais de semana arranja uma forma de "ir pra fora"? Aquele que vive em rodeios universitários?
E cheguei a conclusão de que qualquer uma dessas definições, isolada, não é capaz de definir o sentimento que é ter nascido nesta terra e sentir orgulho disto. Ser gaúcho é mais do que botas sujas todos os dias. Cada um, ao seu jeito, tem uma forma de manifestar o seu amor pelo Rio Grande e, se não o manifesta, tem o seu modo de sentir. Estereótipos de gaúcho não combinam com os já conhecidos de outras regiões (manézinho da Ilha, pitt bull do Rio e por aí). Não existe razão para um aparteid cultural ou sentimental entre urbanos e rurais, centrais e suburbanos, ricos e pobres, negros e brancos, ao menos quando se fala em espírito farroupilha.

O Rio Grande do Sul começou no campo; a vida era no campo. E por isso, a figura tradicional e aclamada do homem do campo. Os grandes fazendeiros, titulares das posses, da riqueza e das grandes propriedades, em verdade, sabe-se lá (aqui tenho a humildade de consultar os historiadores) se faziam da bombacha e da guaiaca uma vestimenta insubstituível.
Foram os bravos homens do campo, guiados por ideais de liberdade e pouco providos de riquezas que sangraram nos pampas gaúchos. Por isso, não venham me dizer que sou obrigado a ter campo, criar cavalos e gado, viver "na lida" do campo para ter conferida a possibilidade de, na semana farroupilha, colocar minha bombacha, minha camisa e meu perfume e "corretiar" pelos piquetes e CTGs de Uruguaiana. Tenho amigos que são estancieiros e acho o máximo! Absolutamente nada contra, muito pelo contrário, só tenho a favor. Vivo com eles a satisfação de poder desfrutar de momentos de verdadeira homenagem à beleza, de cultivo às tradições,de tranquilidade e de todo o resto que a campanha proporciona.
Mas eu, vivo "em apartamento", gosto de uma "lareira". Entrentato, cultivo muito mais as tradições da minha terra, me emociono e muito quando ousso o hino do Rio Grande, sou guiado todos os dias pela retidão de caráter que penso deva ter um homem desta terra, muito mais do que muito "gaúchinho de ano inteiro", que vive de estilos, modismos e oportunidades, ocultando na pilcha a ausência de uma possibilidade mais autêntica de revelar a personalidade.
Não digo com isso que sou melhor, mas com certeza não sou pior. E atenção "gauchinhos de ano inteiro": o gaúchinho de feriado tá saindo de casa, bem mal intencionado! Vai bailar um chamamé, tomar um belo dum trago e, bem perfumado, vai arrastar uma china "loca" de linda pra perto da lareira, aquela que tem no apartamento, lembra? Ainda bem que chove em Uruguaiana...
Grande Mundano. Volte sempre !!!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Não aguentei o silêncio, preciso pedir: NÃO DEIXEM O BRASIL MORRER!

Realmente, não aguentei permanecer em silêncio; apenas assistindo passivamente a degradação da sociedade brasileira, da moral e dos bons costumes.
Acreditei que meu mísero BLOG não serviria pra nada, que ninguém o lê e que uso megafone para alardar surdos.
Mesmo assim surdos, por favor: façam leitura labial do que eu tento dizer (ou melhor: escrever).

Parem esse Brasil antes que esse carro desgovernado não consiga vencer a curva.
Impeçam, a morte da sociedade que convalesce de uma virose de imoralidade.
Ajudem, é quase uma súplica. Pois só educando não estou conseguindo fazer a minha parte:



Enquanto a classe média se torna baixa e a baixa se torna negativa, o "ópio da humanidade" (parafraseando o ídolo da esquerda desloucada) suga o que ainda resta de sustento financeiro das famílias:

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1263488-5598,00-DENUNCIA+DE+PROMOTORES+APONTA+PRATICA+DE+FRAUDES+CONTRA+A+UNIVERSAL+E+FIEIS.html

No Rio Grande do Sul: a governadora é acusada de "improbidade administrativa".

http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3916361-EI7896,00-MPF+Yeda+recebeu+propina+e+ajudou+a+manter+fraude+no+Detran.html

Ano passado eu "levantei a lebre" que ela não chegaria ao fim do mandato. Ainda aposto no que acredito.

Por fim, mas não menos importante:



O BRAZIL DO LULLA, na música de Zé Ramalho (assistam antes que tirem do ar).

Prometo voltar no próximo post com uma detalhada explicação histórica mostrando que o Senado é um circo desde os tempos da RomaAntiga. Pro senado de Brasilia, hoje, apenas mudaram os palhaços.

Mas antes disso, eu lhes peço: NÃO DEIXEM O BRASIL MORRER!!!