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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Não aguentei o silêncio, preciso pedir: NÃO DEIXEM O BRASIL MORRER!

Realmente, não aguentei permanecer em silêncio; apenas assistindo passivamente a degradação da sociedade brasileira, da moral e dos bons costumes.
Acreditei que meu mísero BLOG não serviria pra nada, que ninguém o lê e que uso megafone para alardar surdos.
Mesmo assim surdos, por favor: façam leitura labial do que eu tento dizer (ou melhor: escrever).

Parem esse Brasil antes que esse carro desgovernado não consiga vencer a curva.
Impeçam, a morte da sociedade que convalesce de uma virose de imoralidade.
Ajudem, é quase uma súplica. Pois só educando não estou conseguindo fazer a minha parte:



Enquanto a classe média se torna baixa e a baixa se torna negativa, o "ópio da humanidade" (parafraseando o ídolo da esquerda desloucada) suga o que ainda resta de sustento financeiro das famílias:

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1263488-5598,00-DENUNCIA+DE+PROMOTORES+APONTA+PRATICA+DE+FRAUDES+CONTRA+A+UNIVERSAL+E+FIEIS.html

No Rio Grande do Sul: a governadora é acusada de "improbidade administrativa".

http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3916361-EI7896,00-MPF+Yeda+recebeu+propina+e+ajudou+a+manter+fraude+no+Detran.html

Ano passado eu "levantei a lebre" que ela não chegaria ao fim do mandato. Ainda aposto no que acredito.

Por fim, mas não menos importante:



O BRAZIL DO LULLA, na música de Zé Ramalho (assistam antes que tirem do ar).

Prometo voltar no próximo post com uma detalhada explicação histórica mostrando que o Senado é um circo desde os tempos da RomaAntiga. Pro senado de Brasilia, hoje, apenas mudaram os palhaços.

Mas antes disso, eu lhes peço: NÃO DEIXEM O BRASIL MORRER!!!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

APENAS PARA LEMBRAR A HISTÓRIA

Estive ausente, eu sei!
Volto aqui para lembrá-los mais uma vez que O Grande Império Romano durou mais de mil anos, porém ruiu. Mas os legados sórdidos da política demagógica criada naquela Roma Antiga de poderosos senadores patrícios e plebe faminta ainda permanecem enraizados como câncer em nossa sociedade.

Em Uruguaiana?
Não poderia ser diferente:



Reinauguração do Parque Dom Pedro II (07/06/2009)

PÃO E CIRCO, SENHORES...

PANEM ET CIRCENSIS!

Em tempo: Notem que é dado muito mais CIRCO do que PÃO.

sábado, 9 de maio de 2009

Meu amigo Mundano voltou escrevendo sobre: ESSA TAL "QUALIDADE DE VIDA"

Ele está de volta.
Meu amigo Mundano nos traz essa crítica, que lhes deixo como post dessa semana aqui no Blog do Provinciano:
Entre uma conversa e outra, tenho escutado, sem muita paciência, frases como: "eu quero ter mais qualidade de vida", ou "aquele cara é quem tem qualidade de vida", ou "em Uruguaiana não dá, as pessoas não tem qualidade de vida".

Fico pensando: "Putz, mas o chavão da tal qualidade de vida tomou conta de todo mundo!
Será que é uma gíria nova, um modismo ou as pessoas estão sendo alvo de uma nova idéia, vendida em supermercados e embutida subliminarmente em seus subconscientes?"

Pô, as pessoas que mais se queixam da falta de qualidade de vida que eu conheço são as que têm a vida mais fácil que já vi. Não que isso seja lá "qualidade de vida", mas que isso é "boa vida", ah, isso é!Mas então, o que é essa tal qualidade de vida que esse pessoal tanto procura?

Eu ainda não defini pra mim o que deva ser...escuto tanta bobagem que preferi contar pros outros o que acho que, pelo menos, não deva ser um conceito de qualidade de vida."Ah, qualidade de vida é ir pra praia a toda hora; é poder ter um carro (carro não, carrão!) confortável, ar condicionado, direção hidráulica, air bag, ABS...; é ir num restaurante caro, comer comida chinesa, tailandesa, árabe; é ser vegetariano, ir a uma boa academia (com personal, de preferência) e, no carnaval, me perder em Camboriú... ah, lá sim tem gente bonita, festa “bacana” e o DJ n.º 1 do mundo!"

É...isso é qualidade de vida pra muita gente. Eu vou ser sincero: não sou santo, pastor, socialista, franciscano ou Robbin Hood: quero toda aquela listinha ali de cima pra mim! No máximo dispenso o personal trainner (até porque não conheço um que seja mulher...deve ser o lugar em que moro que não me deu essa qualidade de vida, rsrsrs).

Mas uma coisa é fato: tô longe de achar que a minha listinha mágica é símbolo de qualidade de vida.

É uma pena que a visão sobre essa qualidade de vida esteja atrelada somente ao que uma razoável quantia em dinheiro pode satisfazer.Espero qualidade de vida somente nas férias e esqueço que vivo na cidade 355 dias por ano; espero ter o "carrão da hora", mas nem sei qual foi a última vez que me diverti dando uma voltinha de "bike" com meus amigos...ou então, convidei minha mãe ou pai pra tomar um mate no meu Gol 1000 (raçudo pra caralho!!!) num fim de tarde.
Quero a festa "irada" com o DJ n.º 1 do mundo no Warung, mas não sei qual é a música preferida dos meus pais... será que existe alguma música que quando eles escutam, lembram de mim...ah, mas não deve tocar na balada mesmo, né...
Quero parques pra correr e caminhar,respirar ar puro, mas não consigo curtir sua beleza se não tiver o meu I-Pod. “Que merda”. Tomo shakes, albumina, aminoácidos e cretina; se fosse mulher, pra emagrecer, tomaria anfetaminas, porque sem isso não consigo me achar bonita..."Que droga! Não tenho qualidade de vida! Quero dinheiro, preciso de dinheiro, quero sair dessa cidade!"
É amigo....não é fácil viver nesse mundo. Cheio de necessidades criadas, quase todas inventadas e compráveis, tudo, tudo pra te dar "qualidade de vida".
É bom que tenhas uma casa. Aliás, uma enorme, gigante casa (já virou mansão!) Para poder enchê-la de todas essas "qualidades" que tu entendes necessárias e imprescindíveis. Porque, agora, vida, vida de verdade, não vais conseguir preenchê-la nem que consiga todas essas coisas.
Agora, se tu pratica corrida no parque sem I-POD, te satisfaz com a Golzera, sabe a música preferida dos teus pais e não abre mão de um mate com a tua mãe...vai em busca da qualidade de vida da primeira listinha que te falei...aí sim, mas vai com tudo...A propósito: alguém tem carona pra Camboriu? Tô rachando "gás" até num Fiat 147!



Grande Mundano, sempre viajando e fazendo jus à sua alcunha. Abraço do provinciano aqui.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Palavras que estão assustando

Recentemente comecei a notar a repetição em demasia de palavras que até então raramente eram pronunciadas em algum filme de terror ou ficção cientifica. Palavras que mesmo dentro do contexto de uma frase ou até mesmo isoladas causam alarde, pavor pelo seu significado. E não é para menos, a humanidade e sua história conhece muito bem o sentido de tais palavras e o perigo que traz consigo toda a vez que elas são pronunciadas.
Epidemia, pandemia, epicentro, isolamento, proliferação, doença, vírus, morte, mais morte.
A gripe suína, surgida no México (em áreas de pobreza humana assomada por multinacionais exploratórias sem preocupação com o meio-ambiente) fez tocar, agora no mundo globalizado, o sinal de alerta, e sua conseqüente preocupação, como já ocorrera outras tantas vezes na historia da humanidade.
A Grécia Antiga sofreu (Praga de Atenas, 430 a.C.), o Império Romano tremeu (Peste dos Antonios, 165-180 d.C.), a Europa inteira foi varrida e um terço de sua população - já enfraquecida por um grande período de fome - dizimada (Peste Negra, 1347-1350/52), e tantas outras não menos importantes, como a Cólera (que assolou países inteiros durante a segunda revolução industrial) provaram a fraqueza da humanidade e o quanto nossa sociedade é vulnerável às pragas.

Hoje, o risco da proliferação da doença e a possibilidade de uma pandemia global está causando um princípio de pânico coletivo justamente num momento em que o mundo vive outra epidemia: a gripe econômica, que a cada espirro contaminado afeta outras nações.


Vírus mortal + fraqueza financeira global = CAOS.


No México, paralisação geral, alerta máximo e mortes. Um amigo, que esteve semana passada em turnê de DJs por lá, em conversa via MSN conta da seguinte forma como está a situação no país de origem da doença:
"(...) tá tudo difícil lá, não consegui ir ao mercado comprar algumas coisas antes de voltar pq não havia nenhum aberto. Todo mundo tá assustado lá no México."

Mas onde realmente estaria o nascedouro dessa epidemia que se alastra e não distingue país rico ou pobre? Como esse vírus mutável surgiu e porque justamente no México?
São tantas as perguntas, em meio ao desespero que toma conta tanto dos meios de comunicação como dos diálogos informais de esquina. Mas uma certeza existe: pela primeira vez na história, o homem criou a sua própria doença.

A pobreza humana de algumas regiões do México foi o terreno fértil para que empresas multinacionais – inescrupulosamente obstinadas a explorar para acumular rendas – desenvolvessem ali atividades sem o aval da OMS (Organização Mundial da Saúde); sim, essa mesma organização que hoje está computando o número de infectados e mortos em cada país!
Assim, na busca de explorar, pilhar, enriquecer, depredar a natureza e todos os recursos locais existentes, sem preocupar-se com o meio ambiente, ninguém mediu as conseqüências nem o resultado de tão assombroso e desastroso para com o próprio ser criador.
Criador de tudo, o homem criou até seu próprio epitáfio. Vamos deixar de legado para as futuras gerações esse mau exemplo, o autoflagelo irracional do racionalismo humano sob a forma de doenças. A crise mundial ainda causará danos à economia, a gripe suína ainda assustará e os nossos filhos herdarão nossos feitos. Mas será que é esse mundo que vamos deixar para nossos descendentes?

As palavras assustadoras que hoje habitam nossos pavores podem deixar de existir e voltar a ser apenas tema de filmes, basta agir enquanto há tempo. MUDANÇA, essa sim, é a palavra de ordem para o novo mundo – livre de pestes e crises – que ainda pode ser construído.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Um peso e uma medida

Um blog serve como um expositor de idéias de seu autor; é nele que o escritor divaga, dá vazão à sua imaginação, expressa suas críticas e externa seu ponto de vista.
Foi com esse intuito que criei o “Blog do Provinciano”.
No Blog há um espaço reservado aos comentários; onde os leitores da página deixam suas críticas (apreciativas ou depreciativas). Seria como o direito de réplica que o leitor tem sobre o tema escrito pelo blogueiro.
Essas críticas (sejam elas boas ou ruins) sempre vem de uma maneira interessante, porque elas servem como forma de expressão daquele que lê, equilibrando pontos de vista e criando um diálogo entre o escritor e o leitor.
Mesmo assim, algumas vezes os comentários acabam sendo – digamos assim – “exasperados” demais para uma simples forma de expressão bloguistica, nos forçando à uma tréplica sobre o comentário anterior (e isso faz parecer aqueles debates políticos em véspera de eleição).
Justamente sobre política e as ideologias é que se sustenta esse meu direito de tréplica.
No comentário da postagem anterior, quando escrevi sobre feriados e diminuição do PIB (em decorrência desse mau-hábito brasileiro), fui acusado de ser um escritor tendencioso e “formador de opiniões”, por usar esse meio de comunicação e também por ser um professor, que (no ponto de vista do comentário) acabo influenciando leitores e alunos a seguirem minha linha de raciocínio sobre os fatos históricos e acontecimentos recentes no Brasil e no mundo.
Durante todo o curso de graduação, fui perseguido como que pela Santa Inquisição por professores que queriam incutir, em nós alunos, ideologias que são suas, opiniões próprias e apologias partidárias como se aquelas fossem as verdades únicas, sem permitir à nós alunos o direito de escolher que pensamento seguir (meus ex-colegas de curso, que lerem isso lembrarão muito bem os duelos travados por causa de Auguste Comte, Karl Marx e Cia. Ltda. onde nos eram pré-ditos qual corrente seguir). Mesmo assim, na academia esses “formadores de opinião” lidavam com adultos. Não eram todos que se deixavam levar por marxismos salvadores; inclusive eu.
Dessa fábrica de educadores politizados (poderia até aproveitar o trocadilho e escrever: politizados/influenciados/bitolados/moldados) as escolas estão hoje repletas de professores que levam sua ideologia – construída na faculdade – para crianças e jovens; e nesse ambiente de aprendizagem, onde o professor tem uma figura importante e de destaque ele vai desde cedo doutrinando aquelas jovens mentes e conduzindo-os para o seu ponto de vista, para a sua opinião. Os “formadores de opinião” da faculdade criam “formadores de opinião” em escolas da rede pública disseminando e proliferando apenas um modo de ver as coisas e, por fim, ninguém mais tem opinião formada, mas sim seguidores de alguém que lhes ditou como pensar.
O Blog está na internet para quem quiser ler; com direito à comentários (sejam eles qual forem). Existem também muitos outros blogs que divergem do meu modo de pensar e nem por isso os alcunho de “formadores de opinião”, afinal, cada um tem o direito de se expressar de acordo com seu pensamento.
Mas em sala de aula, gostaria de deixar muito bem claro, que nunca fui um formador de opinião e tampouco externo minhas ideologias políticas à alunos ou colegas; lhes ofereço o direito de escolher, pois no processo de ensino-aprendizagem não devem existir dois pesos e duas medidas. É por isso que educar é uma arte: requer empenho, dedicação, amor ao que se faz ao mesmo tempo em que nos obriga a não conciliar sentimentos pessoais e posicionamentos próprios.

Não me considero um formador de opinião, mas me orgulho em dizer que tenho opinião formada.

João de Almeida Neto já diria:
“Me chamam de Boca-Braba,
Esta gente está enganada;
Eu tenho é boca de homem,
E tenho opinião formada.”


domingo, 19 de abril de 2009

Tudo está tranquilo! Está mesmo? (Calma, é feriado)

A semana no Brasil e no mundo foi de calmaria.
Não se falou tanto nos jornais e tele-jornais em Crise Mundial, conflitos ou em Aquecimento Global.
Parece que essa semana foi a semana mais tranqüila de 2009.
A semana no Brasil e no mundo foi de calmaria.
Não se falou tanto nos jornais e tele-jornais em Crise Mundial, conflitos ou em Aquecimento Global.
Parece que essa semana foi a semana mais tranqüila de 2009.

Obama parece estar ajeitando a economia de seu país e, por conseqüência, a economia mundial.
(Na foto ao lado, Obama e Chavez se cumprimentam na Reunião da Cúpula das Américas, num gesto de amizade entre duas nações antes quase inimigas)

Conflitos pelo mundo a fora estão cada vez mais enfraquecidos e tudo indica que estamos caminhando para uma paz global.



Na America Latina, calmaria entre os países; coisa que em 2007 e 2008 não houve.

No Brasil... ahhh no Brasil!
Aqui está tudo muito bem, tudo muito bom; obrigado por perguntar.
Não se fala mais em corrupção em Brasília. “Esso no ecxiste!” (diria o Padre Quevedo).
CRISE? Alguém sabe o que é isso? O Lula – come de habitue – diria que “não sabe de nada”.
Chegamos ao ponto de sermos requisitados pelo FMI para emprestar dinheiro para países com dificuldades financeiras. US$ 4,5 milhões de dólares. Significa que no país a vida está boa, tranqüila, “light”.



Mas esse ano, devido aos feriadões prolongados, teremos uma redução do PIB de até 5%. Ano que vem teremos ressarcido esse empréstimo aos amigos pobres?



Está mesmo tudo tranqüilo? Ou a crise deu uma cochilada?
Cochilada deram os economistas brasileiros, mas é de se entender; feriadões são feitos para se descansar e eles certamente devem estar cochilando.

Eu só estou escrevendo essa matéria porque estou aproveitando o feriadão.
Escreverei novamente no próximo... não vai demorar tanto. Esperem.



Bom feriado.

domingo, 12 de abril de 2009

DESPOTISMO, DEMAGOGIA; NOBRES E PLEBEUS; TODOS PODEM SER ENCONTRADOS EM URUGUAIANA

Uruguaiana, esta longínqua cidade brasileira que está mais pra Argentina do que Brasil (geograficamente citando) consegue alternar em sua sociedade várias fases da história da humanidade, tanto no sentido social como no político. Aqui pode se exemplificar a história através das figuras públicas e cenários locais que fazem paródia à personagens e momentos que marcaram o Brasil e o mundo.
Somente aqui encontramos ainda, aristocratas em pleno descenso financeiro; auto-intitulados “lordes”, que outrora esbanjavam riquezas e que hoje buscam manter a pose e sua “finesse” para contentar, em eventos públicos ou em festas sociais, outros decadentes aristocratas numa forçosa tentativa de “manter as aparências”. Uma verdadeira alusão às cortes da Inglaterra e França do século XVIII.
Em Uruguaiana encontramos comerciantes reunidos em tendas, vendendo os mais diversos produtos e especiarias (hoje menos comestíveis e mais utilizáveis, sob a forma de objetos eletrônicos) para aqueles viajantes que de longa distância, de outras culturas, outras etnias, vem buscar para depois revender em seus povos. As Índias dos tempos modernos.
Aqui, Carlotas Joaquinas desfilam extravagâncias e luxo, gastando tempo e dinheiro entre salões de beleza, boutiques e perfumarias, enquanto seus Dons Joãos se dividem entre pagar contas e equilibrar-se diplomaticamente entre Inglaterras e Franças a lhe cobrar. Deve se lembrar que a Carlota Joaquina histórica gostava de “experiências” diferentes – não poderia ser diferente com algumas das Joaquinas locais.
Temos em Uruguaiana muros que separam bairros; dividindo com suas telas de arame o centro da cidade (o âmago do capitalismo), da periferia (aquilo que esse mesmo sistema excluiu). Quem é de fora do bairro não entra, com medo daquele que pede a esmola ou, ainda, daquele que faz da arma a forma de esmolar. Aquele que está dentro, confinado pelo processo de exclusão social, luta para sobreviver; porém, cada vez mais, o muro fica mais alto e a vida - dentro destes que parecem os Guetos de Varsóvia durante a Segunda Guerra Mundial - fica cada vez mais menos possível de se viver.
O auge do Império Romano se faz presente no cenário uruguaianense; contentar a plebe com a política do “Pão e Circo” é prática comum ainda hoje no Brasil e no mundo e não seria diferente nessa cidade cômico-histórica. Praças altamente iluminadas (e a conta disso descontado no bolso do contribuinte), passeios públicos, quadras esportivas e MUITO CARNAVAL, unido a projetos beneficentes para “aliviar” a dor da população carente, distraem a comunidade fazendo com que voltemos os olhos para essas futilidades públicas, sem permitir que enxerguemos os vários cânceres urbanos que assolam o município.
Por falar em carnaval (a maior das festas populares), nossa cidade tem um grande carnaval e nesse evento todos os segmentos da cidade se encontram – a bem da verdade é que muitos não se “encontram”, mas sim “se confrontam”. Maridos financiam esposas como destaques de escolas de samba; famílias da chamada alta classe – que antes evitavam misturar-se a plebe, hoje disputam para ter suas filhas como musas e rainhas de escolas de samba, e tantas outras coisas nessa disputa de vaidades que poderia ser tema para um próximo post. É o mesmo que o carnaval veneziano com seus bailes de máscaras; ninguém se reconhecia, mas todos sabiam quem estava presente e quem ali é nobre, fidalgo, infiltrado ou decadente.

Como não podia faltar, uma cidade como essa precisava de um governo caricatural também. Napoleão Bonaparte, que quis estender seus domínios e promoveu o Bloqueio Continental, pode ser citado na figura de um governante uruguaianense que inflexível, já quis arbitrar até na cidade vizinha de Paso de Los Libres. Bonaparte que fez do poder a arma para se promover com sua população unindo paternalismo e medo, aqui na cidade ressurge montando no seu cavalo acenando que “vencerá”, custe o que custar. Mussolini? Adolf? Bush Jr.? Até mesmo Vargas (que por sinal passava férias nessa cidade, quando cansado de governar e manipular politicamente o Brasil)? Sim, todos esses e muitos outros déspotas se enquadram no perfil de políticos locais. Sofre (ou se ilude) a pobre comunidade, a mercê desses tiranos. A oposição é amordaçada – obrigando a se viver num unipartidarismo típico dos nazi-fascistas e, em alguns casos, comprada com cargos de confiança, como na velha política ambígua que se fez notar durante o Governo Provisório de Vargas, que posteriormente foi trocada pelo ditatorial Estado Novo.

Mas o povo de Uruguaiana, mesmo assim, é feliz e esperançoso como o povo multi-étnico brasileiro. Esse povo é bravamente corajoso como os espartanos e leal como os romanos. Valente como a grande nação guarani e de galhardias e feitos heróicos como a brava raça gaucha.
Esse é o povo de Uruguaiana, que tem em sua sociedade tudo que a história do Brasil e do mundo pode contar. Feitos, passagens e personagens que merecem o rodapé da história. Mas a história é assim. Pois as vezes que as nuvens pesadas e escuras trouxeram consigo momentos turbulentos e tempestuosos que assolaram o mundo, sempre vieram depois momentos históricos de bonança que são lembrados com alegria e citados nos livros com muito mais ênfase.
Mas isso é outra história... uma história que ainda está a ser construída, em se tratando de Uruguaiana; cabe a mim e a cada um de nós cidadãos criarmos essa história. É possível, não é difícil e será lembrado; será histórico.