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quinta-feira, 8 de maio de 2008

JURAMENTOS


Quando colamos grau e recebemos o diploma da profissão a qual escolhemos trabalhar, fazemos um juramento, frente ao público e aos mestres que nos ensinaram a ser profissionais.
Mas existem profissionais que fazem o juramento de dedos cruzados, esperando que acabe de uma vez aquele solenidade a fim de começar a ganhar dinheiro com a sua carreira, sem importar-se realmente com a missão que, como profissional, deveria desempenhar na sociedade que agora o acolhe como probo em sua função.
Foi com esta falta de ética profissional que um médico de uma cidade daqui do Rio Grande do Sul (não citarei nomes, perdoem-me!) acabou se negando de prestar atendimento a um paciente, alegando que somente daria assistência médica caso o convalescente pagasse a cifra de R$ 100,00 reais, mesmo sendo um atendimento de rotina, pelo SUS, em um hospital público do município.
O caso caiu nas malhas judiciais, e para infelicidade do médico, ávido por auferir rendas, o paciente contratou um Bacharel em Direito que prontamente entrou com um processo contra o médico em questão.
Por R$ 100,00 reais, agora o médico estava respondendo a um processo de mais de R$ 15.000,00 reais; mas ainda assim, faltava algo dentro processo para provar do enorme crime profissional que acusado incorrera.

Neste momento da história que eu entrei no assunto, sem querer (mas pelo menos me valeu um assunto de BLOG).

Ao conversar comigo, por MSN, o advogado me relatava sobre o processo, contando os fatos e o que ele pretendia com o processo (tirar dinheiro do médico e ganhar com seus honorários). Perguntei-lhe se, em algum momento do júri, o médico havia sido indagado de seu compromisso ético, que deveria ser cumprido por ele e seus colegas através do ”Juramento de Hipócrates”.
Eis que uma pergunta só não me fez cair, porque eu já me encontrava sentado:
“- O que é Hipócrates?”

Depois de explicar sobre o “Pai da Medicina” e o juramento que os médicos fazem ao se graduar, meu conhecido advogado resolveu anexar esta citação em seu processo a fins de expor que o médico faltou com seus princípios profissionais e éticos ao cobrar para prestar socorro.


Veredicto final: a parte acusada foi obrigada a pagar o valor de R$ (...) reais (não sei bem quanto resultou o processo, mas a cifra ultrapassou a bagatela de 15 mil).

Porém, hoje eu comecei a me questionar sobre estes juramentos que prestamos; afinal, os seguimos à risca?

O médico acusado faltou com sua ética profissional e também com o sentimento de fraternidade ao recusar prestar auxílio ao próximo; o advogado talvez não tenha faltado com nenhum princípio de seu juramento (mas todo este empenho em defender a sua parte tinha um interesse maior, ah se tinha!), porém esqueceu que não existem apenas as leis ao se trabalhar em prol da justiça, deve-se ter conhecimentos paralelos advindos de muito estudo (a chamada bagagem cultural) e isso é de fundamental importância para ser um bom profissional.
E talvez à mim também tenha faltado algum princípio profissional; afinal, ensinei algo naquela conversa pelo MSN, mas não agreguei absolutamente nada de conhecimento ao aluno, pois Hipócrates foi citado no processo que lhe deu mais uma vitória no tribunal, mas afinal:
“O que é HIPÓCRATES?” *



Em tempo: Um agradecimento especial ao amigo Paschoal Bonetti (que me auxiliou em alguns termos jurídicos sem me cobrar honorários).

* Sobre Hipócrates: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hip%C3%B3crates

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Para os alunos, deixo um link interessante:

Estão abertas as inscriçoes para o ENEM



Abraço!

domingo, 4 de maio de 2008

Olimpíadas na China - Um mero acaso?


O esporte é um evento que une povos, que apazigua guerras, que irmana aqueles que vivem em opostos, sempre norteado pelo princípio: “O Importante é Competir”.
Os gregos difundiram este lema, quando resolveram praticar esportes ao invés de fazer guerras (certamente os atenienses tiveram esta idéia, porque os espartanos, ah! estes sim, eram viciados numa lutinha) na forma de unir as Cidades-Estado pacificamente, premiando aos vencedores com coroas de louro.
Mas o mundo é, e sempre foi, movido pelas disputas e assim a Grécia, depois de ser assimilada pelos povos Macedônios (que não fizeram questão de difundir o esporte entre seus princípios de sociedade, dentro do chamado Helenismo), foi ainda incorporada pelo grande e poderoso Império Romano (que fez da Guerra de conquista seu principal e brutal esporte) e viu morrer o ideal esportivo de competição, quando o Imperador Romano Teodésio decretou a proibição dos jogos no ano de 393 d.C.
Centenas de anos depois, imbuído dos valores esportivos dos antigos gregos, Charles Louis de Feddy (também conhecido como Barão de Cobertin) resolveu trazer de volta as competições da Antiguidade Clássica para o mundo moderno; renasciam os Jogos Olímpicos.
"A idéia do renascimento dos Jogos Olímpicos não foi uma fantasia passageira: foi a culminação lógica de um grande momento. O século XIX presenciou o prazer pelos exercícios físicos renascer em todos os lugares... Ao mesmo tempo as grandes invenções, as ferrovias e o telégrafo conectaram distâncias e a humanidade passou a viver uma nova existência. As pessoas se misturaram, conheceram-se melhor e imediatamente passaram a se comparar. O que um conseguia o outro desejava conseguir também. Exibições universais trouxeram para uma localidade produtos de todo o mundo, congressos científicos ou literários reuniram as variadas forças intelectuais. Então como poderiam os atletas não buscar se reunirem, já que a rivalidade é a base do atletismo e na realidade a ração de sua existência?" (Barão Pierre de Coubertin, 1896)

Agora tatuada, de forma indelével, na sociedade moderna, o esporte e o espírito olímpico se difundiram, fazendo com que os Jogos Olímpicos acontecessem a cada quatro anos nos mais diferentes países, unindo todas as nações dos cinco continentes.

O esporte criou mitos e lendas, edificou personalidades e nações se usaram dele para se promover; Hitler, nos Jogos Olímpicos de 1936 quis mostrar ao mundo que a “raça ariana” era superior; superior à tudo e à todos foi Jesse Owens, o negro que calou a nação ariana e fez líder alemão se retirar do Estádio Olímpico para não ter que entregar as quatro medalhas que o americano conquistara.
Anos mais tarde, na chamada Guerra Fria, Norte-Americanos e Soviéticos disputavam o espaço aéreo, político, social e também a hegemonia de TUDO, inclusive do esporte. A U.R.S.S. levava vantagem nas disputas olímpicas, a Guerra Fria esfriou, o mundo comunista caiu, se esfacelou e, junto com ele, a supremacia esportiva soviética.
Agora o mundo (e os esportes olímpicos) tornavam-se Norte-Americanos e por imposição deles, e nós espectadores passivos do grande poderio esportivo ianque.
Mas, há quem diga que o Grande Império já esteja dando sinais de declínio, que os EUA já não seja mais a grande potência que outrora doutrinou o modo de pensar e agir global (se auto-intitulando a polícia do mundo contemporâneo) e que hoje vê uniões internacionais e blocos econômicos lhe tomarem o posto de “número um” tanto na cultura, como na economia e, inclusive, nos esportes.

Chegou a vez de uma outra nação se impor frente ao mundo dos esportes (e consequentemente no restante das relações sociais também).
Sim senhores, é a vez da China; país que manteve-se firme, um palanque forte que não se abalou nem com as grandes Guerras quentes e tampouco com as frias, país que permaneceu culturalmente fechado, recebendo pouco influência externa e influenciando imperceptivelmente todo o modo de vida global. Revisem as roupas e os produtos que estão neste momento a sua volta, se não houver nada que diga: MADE IN CHINA, podem para de ler este artigo agora.


Se as Olimpíadas serviram para mostrar ou “tentar” provar superioridades de nações, impondo ideologias por trás das cinco argolas que a simbolizam, agora já não há mais Adolf Hitler (louco com a concepção de raça pura) nem EUA com seu egocentrismo capitalista, é a vez da China; e as Olimpíadas de 2008 virão para ajudá-la a firmar-se como a nova grande potência.
A China entra o novo milênio como o país que vai nos doutrinar social e culturalmente (não, não estou exagerando); as últimas olimpíadas mostraram a China como a maior conquistadora de medalhas e agora, com o evento, dentro de seu país, será o último passo para decretá-la como a grande superioridade esportiva mundial.
Mas não será apenas isso que veremos dentro de noventa e poucos dias; as Olimpíadas (e toda a concentração mundial voltada para Pequim) terminará de divulgar o novo modo de vida global; e aí estão algumas coisas interessantes, outras curiosas e algumas problemáticas desta sociedade oriental. Afinal, viver como um chinês vai ser completamente diferente do que “The American Life” estilo de vida que copiamos desde a década de 50.


Análise I:
Acredito que vocês concordem plenamente comigo que é preferível um HOT-DOG americano do que um cachorro (de verdade) frito chinês, ao melhor estilo Nugget. Afinal, na China, qualquer ser vivo que “se mexa” pode ser servido em um prato e ainda vivo (acrescente ao cardápio baratas, besouros, escorpiões, gafanhotos, ratos, gatos, cobras, etc.) – Nesse aspecto fico do lado americano de ser e de comer.

Análise II:
Curioso na China é que a maioria dos homens daquele país só começam a ter uma vida sexual após os (pasmem) 23 anos e que 77% da população não sabe que camisinha serve para ajudar a evitar a transmissão da AIDS. Fora o fator de que uma pessoa “de bem” pode ser presa e julgada por assistir filme pornô. Mas soltar flatulências (puns!) tirar meleca do nariz, entre outras "nojeiras", em público é mais que comum e ninguém se importa.

Análise III:
Correto, no meu ponto de vista, é a política de natalidade que permite ao casal chinês ter apenas um filho, sendo que aquele que tiver mais de um, paga para o governo. (Imagine aplicar isso aqui no Brasil, o governo até pagaria melhor o funcionalismo).

Análises finais:
Inúmeras outras culturas nós absorveríamos, como por exemplo: trabalhar muito (mas muito mesmo; afinal, na China recém está sendo incluído um benefício que permite férias anuais de QUINZE dias aos seus trabalhadores); aprenderíamos a viver mais e viver bem (pois na China a “melhor idade” é mais saudável que muito adulto de 30 anos de algum país em desenvolvimento); teríamos que aprender a falar e escrever chinês (altamente complicado; há quem diga ser a língua mais difícil do mundo); e por fim, mas não menos importante, nossos conceitos de beleza se alterariam num giro de quase 180º, a beleza feminina não seria mais a dos bustos fartos, estilo Pamela Anderson, a beleza feminina seria oriental, meiga, singela, quase que anti sex-simbol, mas particularmente bonita (e este detalhe, em particular, me chamou a atenção).


É de se pesar na balança a questão social que as Olimpíadas de Pequim nos trarão ao fim dos jogos; comer cachorro eu não me habituaria, muito menos soltar gases corporais em público; mas trabalhar bastante, envelhecendo feliz e saudável e, ainda, admirar as belas orientais será uma obrigação que eu acredito que não me fará tão mal assim.









Em tempo: Recebi críticas de que tenho escrito muitas "piadinhas" num BLOG que deveria ser sério. Pois bem, procurei escrever esta matéria da forma mais séria possível; mas minha irreverência acabou sendo mais forte. Perdão aos leitores!

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Semana que vem retorno, agindo seriamente ou não!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Os meus, os teus, os nossos heróis


A adolescência (e pouco antes dela, a chamada pré-adolescência) é um tempo de afirmação e de construção de valores e conceitos. É a fase onde o jovem escolhe as companhias, os amigos que levará consigo por longo tempo, cria alguns hábitos (bons ou ruins; isso vai depender da companhia que vir a escolher), conhece o amor (ou, pelo menos, começa a entender o quão complicado é entender este sentimento), busca referência, cria ídolos, baseia-se figuras das quais não conhece mas estima e valoriza acima de alguns outros conceitos, tornando-os heróis. Heróis...
Atire a primeira “criptonita” aquele que nunca teve um herói; salte de um prédio com uma capa vermelha quem nunca ousou ser um herói ou ainda, chute uma bola aquele menino que nunca quis ser um jogador de futebol.
A concepção de herói não necessita, nos dias de hoje, ser a de um ser fantástico, com super-poderes, voar e usar uma fantasia; heróis nos dias de hoje bastam trazer alegrias para as pessoas ou demonstrarem uma coragem que parece somente inerente à eles.
Lembrei dos maravilhosos domingos em que a minha família acordava bem cedo para assistir o misto de coragem e inconseqüência, mas que nos trazia alegrias, quando um super-herói de capacete subia no lugar mais alto do pódio e erguia o troféu de vencedor envolto numa capa verde-amarela que representava o nosso pavilhão brasileiro.
Ali estava a minha primeira referência de herói, Ayrton Senna; mas infelizmente nosso heróis são vulneráveis e um fatídico domingo, a família que reunia-se como de costume presenciou a morte de um herói, numa curva “Tamburello” e vimos o quanto até nossos heróis são frágeis.
E na busca desesperada de algum ídolo, de alguém em quem se espelhar, o futebol (especialmente para o brasileiro) sempre foi um criador de heróis.

1994, 1995 e 1996 foram anos em que ser gremista já era ser herói; torcer pelo grêmio e correr o risco de enfartar a cada decisão imortal era um ato de coragem heróica. Naqueles anos o Grêmio teve um ponto de referência, tanto na grande área, como no coração dos torcedores, principalmente dos jovens adolescentes e torcedores, como eu. Jardel era unanimidade, um jogador que devolveu ao Grêmio (junto com o grande elenco dirigido por Felipão) a condição de grande time, de time copeiro e peleador, a característica máxima da chamada “Imortalidade”; e como reflexo disso os títulos foram apenas conseqüência dos bravos atos no campo de batalha.
O centroavante emocionou com gols decisivos (lembro que em alguns jogos, o Grêmio empatando, quase no final do jogo, num escanteio, Jardel era chamado as pressas do banco de reservas, corria para a área, cabeceava e dava a vitória para o tricolor), fazendo mais de um gol, como na vitória de 5 x 0 sobre o poderoso Palmeiras na Libertadores, onde o craque fez 3 gols da goleada e, depois, no jogo de volta em São Paulo, fez o gol solitário na derrota de 5 x 1 que nos manteve no rumo do Bi da América (chorem colorados, nós temos DUAS Libertadores).
Coisas de um herói de uma nação em três cores, apaixonada e feliz com o que via, onde os atos de coragem e dedicação em campo se transformaram em história, consagrando-o como um dos maiores jogadores da história do time e um personagem idolatrado pela torcida, principalmente a jovem (torcida esta que fez de tudo para mantê-lo no time, na chamada campanha “Fica Jardel”).

Jardel foi um dos meus heróis, não é para menos, ele fez por merecer, eu tive orgulho em ostentar a camisa tricolor e buscava jogar como ele nas “peladas” da vizinhança.
Mas os heróis também tem fraquezas, os heróis também são humanos e cedem às tentações do mundo.
Ao ver a reportagem de dez minutos, onde o jogador declarou ter feito o uso de drogas, minha concepção de herói ficou meio confusa; afinal, os heróis que enfraquecem ou nós que erramos na criação e adoração deles?
Fiquei triste, de fato; mas não teria a capacidade de culpá-lo, heróis assim vão e surgem outros, cabe à nós sabermos discernir até onde seus atos podem nos trazer benefícios e alento.
Senna ficou como belíssima lembrança dos domingos em família com minha mãe e meu pai.
Jardel ficou como orgulho de ser gremista e hoje poder repassar este sentimento à meu filho.
E foi neste instante que eu percebi que os verdadeiros heróis sempre estiveram mais perto de nós do que imaginamos.
Naqueles domingos de antigamente ele estava ao meu lado, torcendo junto, o herói era meu pai; hoje, nos gritos de gol e nas comemorações do Grêmio o herói para meu guri certamente sou eu.
Realmente os heróis não usam capas, não são invulneráveis, não tem super-poderes, heróis são aqueles que nos estendem a mão e nos levantam a estima.

Força Jardel !
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A reportagem para o Esporte Espetacular:

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Apenas para descontrair

Esta foi uma das semanas mais terríveis que passei nestes últimos meses; correria de aulas, apresentações, problemas internos (familiares) e externos (sociais), etc.

Mas este BLOG não serve de muro das lamentações; por isso para descontrair um pouco, postei uma piada que me fez dar uma bela e larga gargalhada estes dias e alguns vídeos que upei no Youtube de umas festas onde o Dagoberto e eu cantamos (ou pelo menos tentamos cantar).


" A PIADA "

> Um mendigo entra em um bar e pede a um homem que lhe pague um café.
> Com pena, o cara lhe oferece uma cerveja.
> O mendigo diz:
> - Não, obrigado. Não bebo, só quero o café.
> Então, o homem lhe oferece a compra de um bilhete de loteria.
> - Não, obrigado. Eu não jogo, só quero o café.
> Com muita insistência, o homem lhe oferece um cigarro.
> - Não fumo, eu só quero o cafezinho - recusa o mendigo.
> O homem insiste novamente e diz que paga uma noitada com uma prostituta.
> - Não, obrigado. Eu não traio minha mulher, só quero um café.
> Então o homem leva o mendigo para sua casa e diz para a mulher lhe preparar o café.
> Curiosa, ela pergunta ao marido:
> - Por que você trouxe para casa um mendigo sujo só para tomar um café?
> - Para te mostrar como fica um homem, que não bebe, não joga, não fuma e não dá uma trepadinha fora de vez em quando.


" OS VÍDEOS "






Carpe Diem

terça-feira, 15 de abril de 2008

Como se comportar em um velório? Nem eu sei! (Parte 1)


Me lembro muito bem que, até bem pouco tempo atrás, eu dizia que o único velório que eu iria seria o meu, porque deste eu sou o personagem principal e não poderia evitar de ir.
De fato, detesto velório; mas quem gosta de um? Certamente os donos de funerárias!
Mas a nossa vida social, nossas obrigações pessoais e vínculos de parentesco nos levam, inevitavelmente, a fazer coisas das quais não queremos (ou não gostamos) para manter um bom nível de educação e uma certa consideração para com os nossos próximos.
Foi assim que comecei a freqüentar velórios (não habitualmente, porque não morre tanta gente assim do meu grupo social) desde o ano passado; em agosto do ano passado veio a falecer minha tia, irmã de minha mãe. Seria a primeira vez que eu teria que OBRIGATORIAMENTE ir a um funeral.
Mas como me comportar? O que fazer? Olhar ou não olhar pro caixão? Levar ou não levar flores? O que conversar com os parentes? Meu Deus! Afinal, eu era marinheiro de primeira viagem (de primeira morte, pode-se dizer).
Mas o destino que Deus traçou pra ela, dando cabo de sua vida, deu cabo, também, nas minhas esperanças de nunca ter que ir num evento destes e me levou ao encontro da morte humana pela primeira vez. E tive que ir em seu funeral.
Cheguei completamente perdido, entrei pela porta de serviços e de golpe já fui recepcionado por uma senhora que se não era a própria morte em pessoa (toda de preto e com uma ferramenta que parecia uma foice) era a prima-irmã dela. Vendo ela que eu tinha entrado pela porta de serviços, me conduziu por dentro da funerária, fazendo eu passar pela sala onde se “escolhe” caixão. Ali conheci artigos de luxo e outros mais modestos; todos com várias formas de pagamento, desde cheque pré-datado a cartões de crédito ou boleto bancário.
Pra quem nunca teve uma experiência mórbida destas a minha estréia estava sendo "de gabarito"!
Ao chegar na sala velatória alguns parentes já aguardavam minha finada tia, enquanto eu já queria vê-la enterrada e descansando, pois eu também já pensava em descanso (não o eterno, é claro).
Mas neste momento é que realmente começavam meus problemas: o que conversar com as pessoas?
Não daria pra sair falando de futebol, do clima, se ia chover ou não; mas também eu não podia chegar “de sola” me referindo ao fato mortal que se acometera naquela tarde.
E no "não ter o que dizer", arrisquei:
- Impressionante, mas agosto é mesmo o mês que mata velho!
Depois disso eu pude me retirar de velório, acho que até a minha finada tia não ficou muito alegre com a minha infeliz colocação, quem dirá os vivos ali presentes (na sua maioria velhos).


Recentemente tive de ir em mais um velório, mas o relato desta nova obrigação social fica para os próximos capítulos.
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O Jornal Hoje (Globo) vem apresentando uma série de reportagens sobre VESTIBULAR; para ler na íntegra o que já foi apresentado acessem:
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segunda-feira, 7 de abril de 2008

Matar e Morrer - Ontem e Hoje


Talvez o mais cético dos céticos (um ateu legítimo) já esteja começando a acreditar que o fim dos dias, o Apocalipse bíblico, esteja bem próximo de nós. O caos que precederia este fim já nos é visível, já nos é palpável, está na casa ao lado e nos bate a porta, quando vemos casos aterradores de violência, assassinatos, barbáries que nem a pré-história da humanidade foi capaz de protagonizar.
Matar e ser morto sempre foi comum na nossa sociedade; desde que na antiguidade os povos disputavam territórios, bens, propriedades, escravos, etc. E para tanto precisavam medir forças, sendo contingentes humanos o diferencial que decretava qual grupo social prevalecia sobre outro. Mas para tanto matar o semelhante se fazia necessário, quase que obrigatório, pois permitir ao inimigo sobreviver implicava permitir ser morto numa outra oportunidade de disputa.
Assim passamos pela Antiguidade e pela Antiguidade Clássica matando sem piedade; os romanos fizeram da “guerra de conquista” uma estratégia para dominar todo o território que lhes foi possível (e aprimoraram técnicas para matar e não ser morto); a Idade Média trouxe disputas entre nações que surgiam, cruzadas sem sentido e justiças aplicadas com penas de morte pela Santa Igreja Católica[1] que fez de sua doutrina uma justificativa para exterminar quem lhes fosse contrários (matar já não era questão de disputas, mas sim de ideologias também).
“Navegar é preciso”[2] diziam os navegadores europeus, mas ninguém ousou completar a frase dizendo que: “matar também é, nas terras descobertas”; porém em cada ilha, em cada novo continente descoberto e colonizado, era necessário dizimar ou escravizar civilizações locais[3], tudo isso no ímpeto do Velho Mundo de sobreviver, pilhar riquezas e dominar para não ser dominado (pena que os ameríndios não foram avisados do novo sistema econômico que surgia na Europa, por isso foram mortos, escravizados e alguns catequizados para trabalhar de “forma espontânea” baixo a égide da Igreja Católica, já contestada dentro da própria Europa). Séculos depois, um Papa pediu perdão pelos exageros cometidos pela Santa Igreja; terá adiantado?
A Revolução Francesa aprimorou mais ainda as técnicas para se matar; em alguns casos foi completamente original “Sui Generis”, fazendo da guilhotina[4], uma forma mais “indolor” para aplicação da pena máxima: a morte! Literalmente, cabeças rolaram neste período; mas a liberdade, a igualdade e a fraternidade (isso eu até hoje não entendo) prevaleceram por fim, numa França, agora sem seus reis absolutos. Tanta morte pra tirar um regime do poder (motivos políticos, neste momento justificavam tanta matança).
Porém as mortes em massa já não se limitavam mais às porções de terras européias no mundo contemporâneo; o Capitalismo, as relações comerciais e econômicas entre as grandes nações e o engatinhar da globalização fazia com que o mundo todo se tornasse um barril de pólvora e uma fagulha (sim, uma simples fagulha considerando a gravidade do restante dos fatos) foi o suficiente para declarar uma guerra, agora de proporções mundiais. O assassinato do arquiduque Austro-Hungaro Francisco Ferdinando foi o deflagrador de um derramamento de sangue de proporções nunca antes visto pela humanidade: a 1º. Grande Guerra Mundial (uma morte, gerando mais de 15 milhões de outras mortes; só nós mesmos pra fazermos coisas assim).
No sentimento de ego ferido, na busca de reerguer-se de uma considerável derrota, e restituir territórios perdidos pela 1º. Guerra, uma nação resolveu criar uma ideologia de raça pura para exterminar outras etnias, assim se fez (em parte) a 2º. Grande Guerra Mundial, onde 62 milhões (repito: 62 MILHÕES) de pessoas foram mortas das mais diferentes formas: ou em batalha[5], em suas casas[6], ou ainda em salas com gases venenosos[7].
Enfim, matar e morrer é mais humano até do que se reproduzir.
Mas matar com requintes de maldade, matar premeditadamente, matar o semelhante, matar a criança, matar o parente, o pai, a mãe, a avó, o filho?
Já não há explicação histórica; já se esvai a justificativa de sobrevivência, de perpetuação; já não se aplica a primitiva lei de Talião, não se faz argumento a defesa pessoal; não existem motivos para tanto.
Chegamos num estágio da sociedade onde a barbárie humana é ao mesmo tempo tão comum e tão horrenda que não se sabe mais o que é, da fato, crime e quem possa cometê-los.
Os fatos recentes no Brasil e no mundo, o banho de sangue que a televisão nos proporciona, me fez pela primeira vez, recorrer ao meu BLOG pra tentar acercar e buscar uma razão (ao final do que dissertarei) para tanta atrocidade sanguinária e psicótica cometida pelo ‘ser homem’.
Matar pai e mãe já é quase tão comum quanto um homicídio envolvendo discussão.
Matar irmão já não é tão novo assim (há de se lembrar Caim e Abel, nas fantásticas histórias da Bíblia).
Mas o que leva um jovem estudante a matar dezenas de pessoas em uma universidade e depois ceifar a própria vida? O caso Virginia Tech, nos EUA ainda nos choca.
Arrastar uma criança pelo cinto de segurança pelas ruas fingindo ser a vítima um boneco de Judas à ser malhado? Que animais fariam isso? Certamente animais não. Animais tendem a cuidar se seus próximos no instinto de sobrevivência.
Jovem (adolescente) matando outros jovens? Isso é quase que inexplicável; o rapazinho de Novo Hamburgo que declarou já ter matado 12 pessoas, tendo ele apenas 16 anos é uma afronta ao perfil do assassino em série, pois a grande maioria dos “Serial-Killers” só chega ao elevado número macabro com alguns anos de experiência. O menino de Novo Hamburgo ainda não é maior de idade; e será solto quando alcançar a maioridade!
Um pai... uma mãe... matar seu filho!
Não há palavras para descrever tal cena; nem o mais insano diretor de cinema de suspense conseguiria descrever cenas que atualmente se repetem amontoadamente nos jornais e televisão.
Somente a mente criminosa é capaz de arquitetar planos para jogar um filho recém nascido num córrego imundo, como fez a mãe de Belo Horizonte; somente a sórdida e macabra premeditação de um pai (ele ainda vai confessar, escrevam o que estou dizendo) para jogar uma filha pela janela do sexto andar, depois de espancá-la, deixando um rastro de sangue pela casa; somente, mesmo, a mente humana para matar uma continuidade sua, um filho, uma criança, uma vida em formação.
Eu não quis, ao longo deste texto, justificar as dezenas de milhões de mortes que a humanidade protagonizou ao longo do percurso de nossa história. Matar nunca foi um ato a ser merecedor de honrarias.
Mas é que se nem a história foi capaz de nos mostrar isso, para que não cometamos os mesmos erros; se nem o instinto de sobrevivência que nos fez matar para defender nossos irmãos basta para que nos protejamos; o que eu vejo, agora, é que humanidade está sim fadada ao apocalipse, não divino, mas o apocalipse dos homens, estes que construíram impérios, dizimando outros; exterminaram motivados por ideologias de raça e de credo e que hoje matam sem razões, apenas pelo simples prazer recôndito de matar (nesta essência maligna que Kant batizou de “mal radical”).
O mal é rotina no século XXI, mas nem as origens dele explicam as barbáries atuais.
Pregar aqui uma consciência mais humana entre nós foi o meu intuito (mesmo sabendo do limitado número de pessoas que venha à ler isso); mas afinal, o que mais vale neste mundo caótico de hoje: amar (e não ser merecedor de destaque histórico) ou matar (e ser eternizado numa capa de jornal como psicopata ou ainda ser imortalizado num livro de história?
Fernando Cortez, Francisco Pizzaro, Hitler, Bush, pais assassinos que jogam seus filhos de prédios, mães desalmadas que jogam seus filhos em córregos e jovens que matam dezenas ficarão eternizados para sempre em nossas mentes, mostrando que o mal infelizmente vingou e que o amor, mesmo que sublime ainda está em segundo plano (pelo menos historicamente) em nossos sentimentos humanos.






Se Darwin afirmava que estamos em constante evolução neste processo de sobrevivência natural, que chegue de uma vez o dia em que nós humanos tenhamos nos desenvolvido o suficiente para realmente amar.








[1] Por mais de 700 anos a Igreja Católica condenou a matou milhões de pessoas pela Europa e em suas colônias. Somente na Espanha e Portugal o número de condenados ultrapassou os 37.000. (Fonte: Aventuras na História/Março-2008
[2] Frase atribuída à Fernando Pessoa (grande poeta português, nascido em 1888). Porém, os navegadores da Escola de Sagres já se usavam desta frase por volta da metade1400.
[3] O Frei Bartolomé de las Casas relatou os requintes de crueldade com que os espanhóis entravam nas aldeias indígenas não poupando mulheres, velhos e nem crianças, durante a “Conquista” da América.
[4] O médico Joseph-Ignace Guillotin na busca de amenizar o sofrimento dos condenados à morte, inventou o aparelho que tornou-se símbolo da Revolução Francesa: a guilhotina. Somente em 1794, 20.000 pessoas haviam sido decapitadas pela engenhoca de Guillotin. (Fonte: Aventuras na História/Julho-2007)
[5] O Dia “D” pode ser considerado o mais longo dos dias e o que mais rendeu baixas em ambos os lados na 2º Grande Guerra Mundial; um total de mais de 237.000 baixas militares (aliados e alemães). Fonte: www.wikipedia.org
[6] Londres, entre setembro de 1940 e maio de 1941 foi reduzido à chamas e destroços pelos alemães, onde o abrigo para os ingleses era o subsolo. Mais de 300 mil pessoas perderam a vida durante os bombardeios alemães.
[7] Nos campos de concentração a prática mais comum de “se livrar do estorvo” era confinar como animais, judeus em salas que lhes eram apresentadas como banheiros para limpeza, mas a limpeza imposta ali era a da concepção de limpeza humana da raça ariana, matando milhões com gases venenosos e depois atirando-os em valas comuns abertas. O número de judeus exterminados nos Campos de concentração nazistas ultrapassa a marca de 6 milhoes.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Meus Vizinhos Neanderthais - Breve nos cinemas; um filme de Pedro Duarte (baseado em fatos reais)

No percurso que a raça humana percorreu até chegar à este estágio de nossa evolução, alguns descaminhos até ajudaram para que apenas a melhor das espécies permanecesse na face da terra; seria este, mais ou menos explicado, o princípio da Seleção Natural do Darwin.
Desde a “descida da árvore” protagonizado pelos pequenos “Ramapithecus” até o último estágio de nossa formação humana (Homo Sapiens Sapiens) e sua sedentarização e constituição das sociedades, alguns percalços e desvios de rotas ocasionaram o fim de algumas espécies; é o caso do Homem de Neanderthal.

O homem-de-neandertal (Homo neanderthalensis) é uma espécie fóssil do gênero Homo que habitou a Europa e partes do oeste da Ásia, de cerca de 300 000 a aproximadamente 29 000 anos atrás (Paleolítico Médio e Paleolítico Inferior, no Pleistoceno), tendo coexistido com os Homo sapiens. Alguns autores, no entanto, consideram os homens-de-neandertal e os humanos subespécies do Homo sapiens (nesse caso, Homo sapiens neanderthalensis e Homo sapiens sapiens, respectivamente). (Fonte: www.wikipedia.org)

Tal espécie extinguiu-se de forma misteriosa e, até hoje, é motivo de estudos e controvérsias entre pesquisadores do assunto.
A teoria mais plausível seria de que eles teriam sido extintos no processo de competição frente aos Homo Sapiens que tinham mais mobilidade e que se adaptaram melhor ao meio em que viviam.

Por fim (e por fim mesmo) tal espécie teria sumido da face da terra sem deixar muitas pistas; mas eis que hoje, quase que 45 mil anos depois da extinção completa que deu ao Homo Sapiens o domínio sobre todo o planeta, eu, Pedro Duarte, encontrei uma família de Neanderthais em pleno século XXI.

Sim, não estou inventando; não quero notoriedade, nem tampouco dar o meu sobrenome à esta espécie que descobri, grupo este remanescente dos considerados homens das cavernas. Mas os Neanderthais que conheci (quase que por acaso), já se vestem, vivem em um médio grupo social (oito a nove membros), constituíram moradia sedentária e o principal: GRITAM, ESBRAVEJAM, BRIGAM e emitem GRUNHIDOS diariamente.

Porém o principal (o que faz parecer uma redundância maior) é que os gritos, os brados, as brigas e os grunhidos sempre acontecem em horários, digamos que, importantes do dia.

- De manhã cedo (sim, 10 horas da manhã ainda é madrugada pra mim) já se manifestam estes pré-humanos e suas crias.
- No horário do almoço (para mim uma hora sagrada e familiar, para eles a hora em que o bando divide a caça, por isso seja acentuada a “pelêia” neste momento).
- Na hora da minha “sestia” (é um problema ter contato direto com os hermanos argentinos, sempre acabamos aculturados e eu gosto muito de dormir) as feras pré-históricas se reúnem embaixo de uma árvore para se “trocarem afagos”.
- No café da tarde, antes de ir trabalhar...
- Quando chego no escritório pra verificar as coisas da internet...
- Quando vou jantar...
- Quando vou dormir a noite...



Mas o que notei é que eles têm uma vida muito mais agitada que a minha, porque enquanto eu alterno momentos de lazer e trabalho, eles estão sempre no mesmo ritmo de seus afazeres, tanto que neste momento, enquanto tento concluir este tema, os gritos e urros já começam a atrapalhar minha concentração.
Acho que terei que chamar profissionais do ramo, descobrir uma espécie não é um problema, problema é ser vizinho delas.